Ética quântica
João Galilei
A ideia de que possa surgir uma ética que substitua a ética existente, sobremaneira a ética ditada pela lei de Moisés, que foi aprovada por Cristo, sobretudo a validade dos 10 mandamentos, surge em virtude da necessidade de se acompanhar a evolução das coisas, ou seja, o progresso.
Longe de pensar que se pode modificar a lei de Deus, urge a necessidade de que se faça uma análise do que vem sendo, de fato, aplicado na sociedade moderna, de modo que os prejudicados tomem consciência do que está ocorrendo.
Assim, como as tecnologias avançam, independentemente da vontade da sociedade, mudanças também ocorrem no campo da ética. Atualmente, o mandamento da lei de Deus “não roubar” é sub-repticiamente contornado por uma busca de ajuste do ser humano às novas exigências do desenvolvimento. As pessoas que não aceitam essa mudança ficam se debatendo para impor a ética antiga, sem sucesso.
A explicação é que a felicidade do ser humano não ocorre se ele não conta com bens materiais suficientes para preencher as suas demandas, e os meios de conseguir isso não existem mais, daí a necessidade de roubar. Porém o roubo não pode ser executado abertamente, mas aos poucos vai se tornando aceito. Uma das ferramentas mais eficientes para essa finalidade é o que se chama “crime organizado”. A medida que o crime organizado se expande, já se pode encontrar jovens que dizem “vamos roubar”, ou pais que negociam o produto roubado pelo filho dizendo que o filho roubou longe daquele lugar e que ninguém vai saber. Os que tem os seus bens subtraídos não tem a quem recorrer e passam a sofrer também de desgaste psíquico ao ver esses jovens desfilarem pelas ruas impunemente.
O desespero pela sobrevivência, permite que membros dessas empresas do roubo se infiltrem em todos os órgãos do governo, facilitando ainda mais a impunidade.
A não aceitação de que um mínimo de bens materiais para cada habitante é imprescindível para sua existência, e ao mesmo tempo, a impossibilidade do sistema capitalista fornecer esses bens, leva a se justificar o roubo, a ponto de políticos, membros da Justiça e do clero praticarem o roubo. A população, menos preparadas que essas pessoas ilustres também aderem a essa possível mudança da ética. O resultado é uma sociedade neurótica, cujos membros não podem dialogar, pois a ética quântica não entrou em vigor formalmente, mas existe na prática, e muitos membros da sociedade a experimentam como o ar que respira e a agua que bebe.
Essa reflexão não resolve o problema, mas alerta que não adianta se irritar com as contradições, como as que existem no campo da física quântica, que nem os cientistas conseguem explicar, mas sempre tenta um diálogo que chame a atenção para esses fatos, buscando uma tomada de consciência que suplante a vergonha de tentar buscar uma solução.
Deve-se acrescentar que o mesmo raciocínio serve para os mandamentos “não matar”, “não desejar a mulher do próximo” e “não cobiçar as coisas alheias”.
Maceió, 31/05/26