segunda-feira, 24 de março de 2025

Comentarios sobre a música do Silvio Brito - 24/03/25

 

O Velho, o Moço e o MeninoSilvio Brito

1 - Tá vendo aquele velho, jogado na calçada
2 - Com olhar e mãos cansadas, mendigando compaixão
3 - Dizem que antigamente, era um jovem competente
4 - Um trabalhador decente, tinha lar e profissão

5 - Mas o tempo fez seus planos e com traços tão estranhos
6 - Só deixou perdas e danos e os seus sonhos pelo chão
7 - Igual a tantos miseráveis, que não pesam na balança
8 - Da justiça dos que não tem coração
9 - Nós também somos responsáveis por todos esses velhos
10 - Deixados como herança, quer queira ou não

11 - Cada um por si, jamais é Deus por todos
12 - Cada um por todos é tudo e muito mais
13 - Se não há paz nos olhos teus, não haverá também nos meus
14 - Se há um criador, em toda a criatura
15 - Se estamos todos unidos aos demais
16 - O que se faz por esses erros, se faz também pra Deus

17 - Tá vendo aquele moço, perdido
18 - E sem destino pelo álcool e pelas drogas
19 - Em delirantes coquetéis
20 - Dizem que quando menino, humilhado e oprimido
21 - Brincava de prender muitos bandidos nos quartéis
22 - Numa trilha de surpresas, emboscadas e malícias
23 - Transformou-se em presa fácil, da polícia e dos cartéis

24 - Igual a tantos miseráveis, que não pesam na balança
25 - Da justiça dos que não tem coração
26 - Nós também somos responsáveis por todos esses moços
27 - Deixados como herança, quer queira ou não

28 - Cada um por si, jamais é Deus por todos
29 - Cada um por todos é tudo e muito mais
30 - Se não há paz nos olhos teus, não haverá também nos meus
31 - Se há um criador, em toda a criatura
32 - Se estamos todos unidos aos demais
33 - O que se faz por esses erros, se faz também pra Deus

34 - Tá vendo esse menino, um olhar de cão sem dono
35 - É mais um filho do abandono, no rancor da rejeição
36 - Ele trabalha nas esquinas, em vidros de automóveis
37 - Vendendo drops, balas, de cortar o coração
38 - É um pássaro sem ninho, carente de carinho
39 - Sem pai, sem mãe, sem nome, sem nenhuma proteção

40 - Igual a tantos miseráveis, que não pesam na balança
41 - Da justiça dos que não tem coração
42 - Nós também somos responsáveis por esses pequeninos
43 - Deixados como herança, quer queira ou não

44 - Cada um por si, jamais é Deus por todos
45 - Cada um por todos é tudo e muito mais
46 - Se não há paz nos olhos teus, não haverá também nos meus
47 - Se há um criador, em toda a criatura
48 - Se estamos todos unidos aos demais
49 - O que se faz por esses erros, se faz também pra Deus

 

COMENTÁRIOS

 

Linhas 7 e 8 – Essas frases lembram o funcionamento da Justiça que não retrata o símbolo da balança, ou seja, da imparcialidade.

Linhas 9 e 10 – É uma afirmação de que devemos cuidar desse problema com seriedade. Adverte de que quem não pensa assim pagará por isso.

Linhas 11, 12 e 13 – A linha 11 contraria um ditado popular antigo, que inadvertidamente afasta as pessoas, umas das outras, e que dito dessa nova forma, como está na linha 12, estimula as pessoas para serem fraternas. A linha 13 é de aceitação universal, pois não se deve querer para o próximo o que não se deseja para si próprio.

Linha 16 – Nesse local, encontra-se algo equivalente ao que está escrito em Mt 25, 35-40, colocando a letra dessa música como uma ferramenta de evangelização moderna e atrativa pela beleza artística.

 

CONCLUSÃO

1 – Contamos atualmente com religiões, Ongs, associações etc, mas que não abordam o problema físico da quantidade de bens x quantidade de pessoas, quantidades essas que otimizassem o uso do planeta, de modo que todos se sentissem satisfeitos. Sem uma meta semelhante a esta, não se tem objetivamente o que perseguir para obter a ausência de conflitos sobre a terra.

2 – Como os fatores que governam esse equilíbrio são as pessoas e os bens, pode-se iniciar com certas considerações:

        2a) A quantidade de bens está limitada ao tamanho do planeta, pois vai demorar muito até se conseguir outro planeta para coabitar, sendo portanto um componente fixo do problema.

        2b) A quantidade de pessoas pode ser extremamente variável, porém o controle desse número é também por demais complicado para se chegar a um acordo. As religiões não aceitam a limitação da natalidade e nem sequer atentam para algumas dicas deixadas por Cristo, como encontra-se em Mt 19, 12, em que Cristo prestigia o celibato. Pelo contrário, é frequente a ocorrência de pessoas que desejam mais um neto porque até agora só apareceram 8 netinhas, outros fazem sexo sem a mínima preocupação com os meios de sobrevivência dos nascituros, resultando numa sobrecarga para todos, o que é bem evidenciado nas Linhas 9 e 10, 26 e 27, 42 e 43, da música em análise.

Maceió, 23/03/25 – www.repolitica.blogspot.com

                                 www.teologiaanalogica.blogspot.com 


segunda-feira, 1 de abril de 2024

Implicações de Mt 23,1-39

 

Implicações de Mt 23, 1-39

Francisco José Lins Peixoto

Implicações – Quando uma sociedade está habituada com um determinado sistema de poder, uma mudança significativa desse sistema pode causar inúmeros desconfortos e traumas, mas que são próprios da fase de transição. A forma como seja administrada a transição deve levar em conta esses fatores, pois se o desconforto ultrapassar um certo limite, a mudança poderá não ser efetivada. O sucesso da mudança é influenciado pelos benefícios que ela trará e da capacidade dos mentores do processo fazerem a divulgação entre os interessados. Por isso costuma-se dizer: tal coisa é muito ruim, mas será muito pior sem ela, ou, tal coisa é péssima, mas o que colocaremos no lugar dela.

    Assim, devemos debater bastante sobre MT 23 e sobre o que seria colocado no lugar das práticas religiosas atuais.

 

Prólogo – Trata-se de um texto que discute as implicações decorrentes da aplicação do que Cristo recomenda no Cap. 23 de Mateus. O estudo das implicações nos leva a compreender melhor o alcance desse Capítulo como transformador dos hábitos religiosos atuais, a ponto de nos transportar para o encontro de Cristo com Nicodemos, descrito no Evangelho de S. João, Cap. 3, versículo 3, “...é necessário nascer de novo”, tornando-se uma inevitável necessidade para a prática de Mt 23.

 

Prefácio – O autor iniciou sua caminhada pela religião levado por seus pais e pela tradição. Assim, foi batizado com menos de três meses de vida e crismado com sete anos de idade. O primeiro ato de discordância foi a aquisição de uma bíblia e tomar conhecimento de todo o seu conteúdo. Isso ocorreu quando o autor já estava com 26 anos de idade. Aos trinta e cinco anos, a sua esposa o levou a participar da equipe de preparação de pais e padrinhos para o batismo na Paróquia de N. S. das Dores do Rio de Janeiro. Esta foi uma fase importante de sua vida religiosa, pois liderou por cerca de nove anos os encontros de pais e padrinhos, três vezes por mês, culminando com a elaboração do texto CURSO PARA ANIMADORES DOS ENCONTROS DE PAIS E PADRINHOS [1]. Apesar do autor ter tentado discutir o seu texto com vários sacerdotes, o resultado foi a demissão sumária, do autor e de sua esposa, da equipe. Encerrada a participação do autor nessa paróquia, o autor continuou sua tentativa de entender os objetivos do clero católico, atuando na Paróquia N. S. da Piedade, no bairro da Piedade, Rio de Janeiro. O pároco local nos pediu ajuda para reorganizar a biblioteca iniciada por um pároco anterior. Após um ano de trabalho, a biblioteca estava completamente restaurada, com a proposta de leitura de um livro por mês, com debate e participação de toda a comunidade. Ficamos estarrecidos ao chegar um dia e ver que a biblioteca não mais existia [2]. Encerrada a participação nessa paróquia, passamos a atuar nas paróquias de N. S. Medianeira de Oswaldo Cruz e de S. João Evangelista de Oswaldo Cruz, ambas na cidade do Rio de janeiro, participando de grupos de canto.

    Residindo nesse bairro, experimentamos uma terrível interrupção no fornecimento de água potável, principalmente nas ruas situadas em cotas mais altas, como foi o caso da que habitávamos.

    O autor se empenhou em organizar o povo para a luta pela volta da água, resultando no reabastecimento dessas ruas pela empresa estatal [3]. Observou-se que as paróquias não participaram para apoiar essa luta.

 

 

[1] – Curso para animadores dos encontros de pais e padrinhos – Postagem de 13/08/17, no www.coisasdopeixoto.blogspot.com

[2] – Biblioteca S. Vicente de Paulo – Postagem de 06/07/15 no www.coisasdopeixoto.blogspot.com 

[3] – Água de Oswaldo Cruz – Postagem de 03/03/15 no www.coisasdopeixoto.blogspot.com

    Estivemos na cidade de Mendes/RJ, onde tivemos oportunidade de participar do movimento Comitê pela Ética na Política, liderado pelo ex-vereador por São Paulo, Francisco Whitaker, que era Secretário Geral da CNBB, na época. Os comitês visavam a fiscalização das Câmaras de vereadores pela população. Esse movimento conseguiu a aprovação da lei contra a corrupção no Congresso, infelizmente sem uma contribuição decisiva da igreja católica formal. Grande parte dos militantes eram correligionários do Partido dos Trabalhadores, que motivados pela campanha do Lula para presidente, deixaram o movimento e este se extinguiu.

    Em Maceió/AL, o autor e sua esposa participaram intensamente dos eventos da Missa da Paz [4] e do grupo de canto Peregrinos de Jesus [5]. A Missa da Paz ocorria na catedral de Maceió, com uma reunião no salão, após a missa. A cidade foi praticamente varrida, já que a missa era mensal, e cada vez com a participação de um dos diferentes bairros. Aconteceu que surgiram denúncias graves nessas reuniões, que não foram satisfatoriamente abordadas pelas autoridades ou pelo arcebispo. Aos poucos, foi a Missa da Paz se extinguindo sem a promessa de que o seu conteúdo serviria para a edição de um livro ser cumprida.

    O grupo de canto Peregrinos de Jesus teve o mesmo destino. O autor e sua esposa continuaram participando da equipe de liturgia da Paróquia Imaculada Conceição do Jacintinho, sede do grupo Peregrinos de Jesus.

    Foi aí que surgiu um incidente durante uma missa em que o autor teve a função de comentarista. O Pároco local o suspendeu das funções sem explicar os motivos exatamente, mas tudo tinha a ver com um comentário improvisado pelo autor nessa missa. Mais tarde, fomos dispensados de tocar e cantar na missa dominical.    Paralelamente, tomei conhecimento de um livro publicado pelo pároco da igreja de Santa Terezinha, Farol, Maceió/AL. Ao examinar o livro vi que continha citações de um teólogo alemão do século XX, e grande influenciador dos textos do Concílio Vaticano II. Antes de falecer, em 1983, ele deixou um escrito que dizia: ”A igreja católica do futuro será desclericalizada, crítica da sociedade etc “ [6]. Isso me animou sobremaneira, de modo que aproveitamos a COVID 19 para não mais frequentar os cultos na paróquia. Decidi também não mais tocar ou cantar em outras comunidades, culminando com a publicação do texto sobre MT 23 [7], além de pintar essa inscrição no muro da nossa residência.

 

 [4] – Avaliação das Missas da Paz – Postagem de 10/10/08 no www.repolitica.blogspot.com

[5] – História dos Peregrinos de Jesus – Postagem de 13/01/10 no www.peregrinosdejesusdemaceio.blogspot.com

[6] – Argumentos de uma tese – Postagem de 30/05/19 no www.coisasdopeixoto.blogspot.com

[7] – Evangelho de São Mateus, Cap. 23,1-39 – Postagem de 02/01/20 no www.teologiaanalogica.blogspot.com

    Qual não foi a minha surpresa, quando vi o Manual e o Texto Base da CF 2024 com a inscrição MT 23,8 na capa. Pedi a um paroquiano o Texto Base emprestado e publiquei os meus comentários sobre o texto da CNBB [8]. O pároco local recebeu uma cópia, mas ainda não se manifestou.

 

Maceió, 01/04/24

 

 

 [8] – Comentários sobre a CF 2024 – Postagem de 05/03/24 no www.teologiaanalogica.blogspot.com

 

    Dentro desses parâmetros, deveria haver um debate em torno de possíveis implicações, porém as pessoas não costumam tomar essa iniciativa. Por isso vamos provocar esse debate a partir de conversas ocasionais que tivemos após a publicação dos textos e que vamos relatar sob a forma de subitens das implicações.

    1) A principal implicação é que qualquer que seja o seguidor de uma religião, ele está sujeito ao controle dos dirigentes dessa religião, e não são totalmente livres para tirar proveito das leituras bíblicas. Por exemplo, a leitura do Cap. 23 de Mateus leva o leitor a entender que, no máximo, o fariseu (dirigente atual), pode ser ouvido porque ele fala do que está escrito no livro sagrado, mas não pode ser seguido porque é um hipócrita.

    Eu tenho aproveitado, por exemplo, as oportunidades que ocorrem enquanto eu estou catando lixo ou capinando as sarjetas putrefeitas da rua onde moro, geralmente aos domingos, que eu costumo dizer que “o domingo é o dia do Senhor”.

    Num desses domingos, encontrei um obreiro da igreja Assembléia de Deus que ia cumprir sua missão no templo, distante cerca de 60m dali. Ele estava impecavelmente vestido, de gravata, camisa social, e carregava a bíblia consigo. Começamos a conversar e momentaneamente percebi que ele tinha logo atrás de si a bela inscrição de MT23, encrustada no muro do meu terreno, bem à altura de seus olhos. Aproveitei para perguntar a ele o que era um prosélito. Como ele não respondeu, pedi para que ele lesse os versículos do Cap. 23 de Mateus, a partir do versículo 12. Quando ele leu o versículo 15, viu que Cristo define bem o que é prosélito, e que este vai duas vezes mais para o inferno que o fariseu que o escolheu. Assim fiz ver a ele que as palavras hipócrita e prosélito são muito bem definidas no Cap. 23 de Mateus, embora aparentemente pouco conhecidas dos fariseus e prosélitos da atualidade, assim por mim chamados por força da analogia.

    Outro termo referendado por Cristo é o “eunuco”, ou seja, castrado, conforme aparece no Cap. 19, 12 do evangelho de S. Mateus. Quando lhe perguntei o que era um eunuco, ele sabia que era alguém que se castrou para poder servir no harém dos poderosos, mas de maneira vaga, e não com base na explicação de Cristo aos que questionavam a lei do divórcio, mantida pelos fariseus.

Em seguida passou um Testemunha de Jeová acompanhado de um jovem, que certamente estavam fazendo o que eles chamam de “trabalho de campo”. De fato, ele tentou me entregar um folheto, mas respondi que já conhecia essa denominação religiosa, pois convivi bastante tempo com um seguidor das Testemunhas de Jeová. Começamos a vagar pelos versículos de Mateus, 23 e eu conclui que a única saída era criar um grupo que fosse independente. Ele logo se mostrou preocupado e disse que isso seria dissidência, ou seja, um grande pecado. Então eu ia recorrer à dissidência criada por Cristo, que o levou à morte prematura, assassinado pelos seus algozes. Comecei me referindo à época provável em que a “ficha caiu” para Cristo, ou seja quando Ele foi expulso da sinagoga na região da Galileia, onde tinha sido criado, conforme relata o Cap. 4, versículo 14 e seguintes do evangelho de São Lucas. Foi quando esse senhor declarou que não sabia dessa passagem da Bíblia. No momento, eu não tinha, de cor, o local dessa passagem, e fiquei de enviar, por telefone, o endereço dessa passagem bíblica.

    Ora, a partir desse ponto Cristo foi perseguido pelos doutores da lei (por analogia, os dirigentes das religiões atuais) até que conseguiram matá-lo. Isso significa que os cristãos tiveram que começar do zero, sem apoio dos dirigentes da religião da época, que foi a religião em que Cristo foi educado.

 Maceió, 12/08/24